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Destaques da nossa pretaleira.

Obras escritas com muito sangue, suor e lágrimas

Poemas de amor ainda

De Antonio Thadeu Wojciechowski

Thadeu, durante 15 anos, vem escrevendo quase que diariamente no Facebook. E foi dali que compilou cerca de 180 poemas para fazer a obra Poemas de Amor Ainda. Poemas que o público consagrou na forma de comentários e compartilhamentos e que influenciaram a obra de muitos poetas. O poeta hoje com 73 anos, neste livro, ainda mantém a chama punk que o move desde a infância quando escreveu seus primeiros poemas. O livro dividido em 6 capítulos revela um poeta maduro com domínio absoluto das técnicas, fórmulas e formas. Textos ágeis, com rimas inesperadas e ritmo enlouquecedor, o poeta nessa obra supera a si próprio e aos autores que o influenciaram. Leia, é melhor do que nada. Mas isso não tem importância.

O que os nosso leitores andam dizendo sobre " Poemas de amor ainda".

UM POETA NA CONTRAMÃO DA MARÉ ODIOSA – POR ROBERTO PRADO.

O universo virtual aproxima a ciência da magia. Ele tem o poder de trazer os distantes, unir os contrários, ampliar conversas, dividir descobertas, desenrolar intrigas, aplainar discórdias e tantas outras coisas por vir que ainda não se sabe. Porém, em sua liberalidade, também permite a invasão deste espaço por uma ruidosa horda de odiadores profissionais sem limites, pisoteando em tudo e em todos.

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THADEU MÚLTIPLO E UNO – POR HAMILTON FARIA

É com alegria que saúdo o poeta Antonio Thadeu Wojciechowski e seu livro mais recente ‘Poemas de Amor Ainda’. Eu e Thadeu não nascemos exatamente do mesmo ventre poético, nem vivemos as mesmas experiências de vida e palavra, embora tenhamos participado juntos de várias antologias da poesia paranaense.

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THADEU, SINÔNIMO TALENTO – POR ERNANI BUCHMANN

Há alguns anos tive uma febre dos demônios, com pesadelo e um mal-estar de 900 suores. Não esqueci aquele sonho, porque na mesma noite o poeta Antonio Thadeu Wojciechowski estava matando Wilson Martins sem que eu pudesse testemunhar. A febre rendeu um conto, selecionado para a antologia 100 Contistas Paranaenses, publicada pela Biblioteca Pública do Paraná.

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Poemas de amor ainda

De Antonio Thadeu Wojciechowski

Piada Louca

De Sérgio Viralobos

A caverna dos destinos cruzados

De Monica Berger & Sérgio Viralobos

PIADA LOUCA

De Sérgio Viralobos

Tem poeta pra tudo nesse mundão do demodeus. Tem aqueles que não valem o que comem. Tem uns e outros que o que fazem já foi feito antes e bem melhor. Tem também os idiotas da subjetividade que acham que escrever em dialeto pra meia dúzia de vagabundos não é chafurdar na merda. Mas o que mais tem é poeta onanista ortodoxo, sonhando com taças peludas em céus de veludo, sob uma baita dor de corno. Com esses aí de cima, o bom mesmo é manter distância segura, um pé à frente e outro mais ainda. Mas nem tudo é cópia e mistificação, existem os poetas-inventores, aqueles que abrem os próprios caminhos e não seguem nem suas próprias pegadas. O Sérgio Viralobos é um desses, com uma vantagem a mais: além de poeta-inventor é um profeta que, aleluia!, vive de mala e cuia na casa do senhor! Pra você que está chegando agora, cuidado. O que ele diz exige atenção, pode ser pra agora ou pra quando menos se espera, daí é tarde, você provavelmente já levou nas canetas e se fodeu. É que a linguagem desse cara beira sempre o precipício e você vai ficar realmente abismado ao saber como a simplicidade pode ir fundo e subverter a superfície de todas as coisas deste e do outro mundo. Bofetadas no gosto público? Pode até ser, mas antes mesmo de você se sentir completamente nocauteado, vai ouvir o Sérgio Viralobos rir, rir como Henri Heine ria, porque ele sabe que a alegria do circo é ver o palhaço pegar fogo e incendiar o público todo. E, além de não lhe dar a outra face, o filho da puta é bem capaz de uma última rimada, linda de se ver, bem no meio da sua fuça. Bom, mas você, leitor, não pode se queixar, afinal, esses poemas só têm uma razão de ser: esfregar poesia na sua alma. E é bom não esquecer que só dói, quando você ri, pois se você chorar todo mundo vai rir da sua cara.

Antônio Thadeu Wojciechowski

A caverna dos destinos cruzados

De Mônica Berger e Sérgio Viralobos

UMA VIAGEM ARQUETÍPICA

O Tarô é um livro infinito, como o livro de areia imaginado por Jorge Luís Borges em um de seus relatos memoráveis. Texto sem palavras, formado por figuras, cores, letras, números, formas geométricas e outros símbolos, dispostos em 22 arcanos maiores e 78 menores, o Tarô demanda uma leitura diferente daquela exigida pelo formato Gutenberg: cabe ao intérprete, pela manipulação aleatória das cartas, dispor uma sequência, propor uma combinação, construir uma narrativa que é apenas uma de múltiplas rotas de significação. A leitura do Tarô, assim, concilia um programa ou conjunto rigoroso de regras com a intervenção do acaso, o que nos faz lembrar do conceito de obra aberta, de Umberto Eco, e dos labirintos visuais da poesia barroca e maneirista. Os tarôs mais antigos de que temos notícia, como o Tarô de Marselha, surgiram na Europa entre 1392 e 1450, pintados por artistas anônimos, o que dificulta a investigação histórica. Durante muito tempo, os estudiosos apontaram uma possível origem cigana do Tarô, tese atualmente refutada pelos especialistas mais contemporâneos. Cynthia Giles, por exemplo, no livro O Tarô: uma História Crítica, afirma que “a data de 1392 poria abaixo a teoria outrora popular de que o Tarô foi trazido para a Europa pelos ciganos, uma vez que eles não chegaram na Europa até 1411. Mas se os trunfos do Tarô apareceram no século XV, é possível que fossem afinal de contas parte do saber dos ciganos. Possível, sim. Mas não existe nada que confirme esta ideia – ou qualquer outra – sobre os primórdios do Tarô”. No campo dos mitos sobre a origem desse livro enigmático, não faltaram outras hipóteses, apresentadas pelos ocultistas, segundo os quais o Tarô teria surgido de um pergaminho intitulado Livro de Thot, atribuído ao próprio deus egípcio da sabedoria. Outros pesquisadores relacionam os 22 arcanos maiores com as letras do alfabeto hebraico e as concepções místicas da Cabala. O que sabemos de fato é que o Tarô, no final do século XV, era bem conhecido nas cidades italianas de Veneza, Milão, Florença e Urbino, conforme escreve Cynthia Giles. “Os centros principais do jogo eram Bologna, Ferrara, Milão, e deles vieram as primeiras provas da existência das cartas do Tarô […]. A primeira referência documental segura é de Bologna, datada de 1459. Há muitas referências de Ferrara a partir de 1442, enquanto que de Milão vêm as primeiras cartas de Tarô propriamente ditas ainda remanescentes.” Seja qual for a gênese dessa obra enigmática – egípcia, judaica, florentina, cigana –, é inegável a presença de sinais alquímicos, astrológicos e cabalísticos de diferentes épocas e culturas em cada carta, como as sucessivas camadas geológicas de um sítio milenar; o leitor, convertido em arqueólogo, deve decifrar não apenas as figuras alegóricas do Carro, da Torre, do Sumo-Sacerdote, da Estrela, do Sol e de outros atores desse teatro arquetípico, mas também o que está em cima, embaixo, à esquerda e à direita. Tudo tem significado, nada é casual, e o sentido de uma carta se relaciona com o de outras que estão próximas, como os elementos de uma frase. Livro iniciático, misterioso, o Tarô despertou o interesse de ocultistas como Eliphas Levi, Papus, Aleister Crowley, de artistas plásticos como Salvador Dalí, de poetas e escritores como Alberto Pimenta e Sylvia Plath, de psicanalistas como Jung, e também dos poetas brasileiros contemporâneos Monica Berger e Sérgio Viralobos, que se lançaram à tarefa de refabular a cornucópia de histórias do baralho mágico neste ótimo livro de poemas, A caverna dos destinos cruzados, que o leitor tem agora em mãos. A jornada começa com o poema de título homônimo, construído na forma de conto de fadas, que funciona como prelúdio da trama; nele aparecem dois personagens desenvolvidos pelos autores, não pertencendo ao repertório de símbolos do Tarô, mas presentes em todas as pequenas narrativas poéticas do volume: a Pantera e o Lobo. Em seguida, lemos 22 poemas que dialogam diretamente com os arcanos maiores do tarô – o Louco, o Mago, a Sacerdotisa, a Imperatriz, chegando afinal ao Mundo. A sequência dos arcanos não é aleatória, e conforme Sallie Nichols, em seu livro Jung e o Tarô, representa a jornada arquetípica do ser humano rumo ao autoconhecimento – a busca do self. Por isso mesmo, a viagem simbólica começa com o Louco, que representa o zero, o ponto de partida, a inocência, a ingenuidade, a instabilidade, a imprudência, entre numerosos outros significados, que dependem da posição das cartas vizinhas ao se fazer uma leitura. No poema dedicado ao Louco, Monica e Sérgio (todos os poemas foram escritos a quatro mãos) escrevem: “Não falo com ninguém / Porque sou nada. / Lanço meus dados / Na sua tabula rasa. / Sou irmão gêmeo do silêncio”. Após o monólogo dramático, em que o personagem se apresenta, a narração passa para a terceira pessoa, e ficamos sabendo do encontro do Louco com a Pantera e o Lobo, e do segredo que o desvairado, em sua louca sapiência, conta para a felina: “Você quer muito algo que não faz ideia”. Este é, exatamente, um dos muitos significados simbólicos do insano: ele é aquele que nos revela algo que ignoramos. Logo na sequência surge o Mago, com todas as suas ferramentas, habilidades e truques de prestidigitação, anunciando: “Não preciso mais do que gestos / Pra contar minha história: / Sou o número um dos arcanos, / A potência em primeira mão. / Um homem de poucos afetos / Que fez muitas gozarem em glória. / Atraí legiões de insanos / Até moê-los em grão”. Do mesmo modo que na composição anterior, após o monólogo de anunciação, temos um evento simbólico, que apresenta aos protagonistas da jornada poética um saber que desconheciam. Em cada encontro com os arcanos seguintes, novas surpresas e saberes irão se somando, até a revelação final, no arcano 22, o Mundo, que conclui a saga de descobertas e transformações psicológicas. O que acontece ao longo desse percurso não resumirei aqui: cabe ao leitor realizar essa peregrinação poética e simbólica, inserindo-se ele próprio como personagem, ao lado da Pantera e do Lobo, para ouvir o que o oráculo tem a dizer. A linguagem dos poemas não é linear, nem poderia ser, em se tratando de um mosaico de múltiplas camadas, cores, vaticínios e sentenças: temos aqui desde o tom solene, enigmático, oracular, próprio de uma sibila, até a fala mais coloquial, irreverente e provocativa das ruas; alternam-se os tons sensual e debochado, irônico e sagrado, prosaico e trágico, confessional e encoberto, pela via paródica (lembrando que “paródia” vem do grego e significa “canto paralelo”, não necessariamente humorístico). O movimento da linguagem é a rotação de sentidos até mesmo dentro de um único arcano: no Tarô, nada é estático, tudo é dinâmico, está em constante interação, transformação e proliferação de significados. A própria miscigenação entre poesia e conto de fadas apresentada nos poemas está em consonância com o caráter plurívoco do baralho: todos os recursos expressivos, monólogo e diálogo, descrição e narrativa, são válidos e cada coisa em outra coisa se transforma, seguindo as rodas do Carro e o movimento da foice da Morte, a Dama Negra que é a própria mudança personificada. À miscigenação ou hibridismo de gêneros, soma-se o diálogo criativo entre os textos poéticos e as imagens desenhadas por Leonardo Chioda, que além de ilustrador é poeta e tarólogo. Ele reimaginou as figuras arquetípicas dos arcanos especialmente para esta obra.  Em síntese, o leitor tem aqui uma obra de extrema originalidade, que irá encantar desde os pesquisadores do Livro de Thot até os que desejam apenas ler boa poesia, imaginativa, articulada e bem construída como artefato artístico.

Claudio Daniel 
São Paulo, Janeiro de 2019.

 

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