MIRÍADES DE MIRAGENS DE MILHAGENS DE RIMAS DE ARRIMO – POR VINÍCIUS ALVES

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O poeta antonio thadeu wojciechovski me ligou outro dia dizendo que seu mais novo livro, “poemas de amor ainda”, estava a caminho e que era pra eu prestar atenção porque nele havia colocado toda sua força poética.

O poeta antonio thadeu wojciechovski me ligou outro dia dizendo que seu mais novo livro, “poemas de amor ainda”, estava a caminho e que era pra eu prestar atenção porque nele havia colocado toda sua força poética.

quando o livro chegou não esperei nem um segundo e comecei a devorá-lo imediatamente e pude constatar o que o meu querido amigo queria dizer. minha cuca começou a derreter e minhas ideias entraram em ebulição desde a primeira linha e num crescendo, num misto de contentamento e gozo intelectual com as rimas mais extraordinárias que um dia já pude me deparar, uma mistura de humor extrafino, de música e ritmos inusitados, de ideias estramboticamentes elegantes, de lições de vida e morte de fazer o sangue coagular dentro das veias, de soluções de rimas externas e internas estranhas e por isso mesmo de uma beleza nova, tais como rimar “berceuses” com “deuses”.

isso só vi o polaco da barreirinha fazer. nem aquele outro polaco, também curitibano e fera na poesia, lá da cruz do pilarzinho, (ai, esses diminutivos que o poetinha meu xará usava, adoro-os!) vi cometer.

vai ser, daqui pra frente, meu livro de consultas e de cabeceira. conhecendo o thadeu como conheço, consigo vê-lo em todos os poemas: ora sarcástico cáustico, ora felino ferino; ora terno sem terno, ora humor amoroso; ora elegante elefante, ora boxer boxeador. todos os thadeus num livro só ou talvez vários livros num thadeu só, pois o livro é dividido em capítulos onde encontramos poemas de amor, haicais, quadrinhas, sonetos, poemas curtos e longos, pirados, epifânicos, etéreos e eticéteraetal, numa verdadeira festa das ideias, sons, ritmos, rimas de entontecer até o mais experiente poeta ou crítico de poesia.

não bastasse tudo isso, o polaco nos brinda ainda, no final do livro, com traduções suas de caras como poe, rimbaud, maiakóvski, cummings, shakespeare, emily, baudelaire, entre outros, num beijo de língua com as línguas e as linguagens de outros tempos, demonstrando toda a sua verve criativa, terminando em clima orgiástico um livro que é pra se levar no bolso e na bolsa, nos olhos e no coração, na mão e na imaginação, pois é feito de miríades, de miragens, de milhagens, de rimas de arrimo de um poeta que ao mesmo tempo é forte e singelo, intenso e leve, bravo e amoroso, como todos os poetas deveriam ser.

não posso deixar de falar também da elegância do livro em si, como objeto, com a editoração e programação gráfica a cargo da competente e ainda mais elegante pryscila vieira, que transformou o livro já tão e tanto, num objeto de arte, de esmero e de bom gosto.

arrematam o livro, na entrada e na saída, textos dos cobras sérgio viralobos e ivan justen santana.

a bernúncia editora tem o maior orgulho em ter sua marca atrelada a pessoas tão bacanudas e importantes dessa curitiba de tantos talentos e que aprendemos a amar.

Vinícius alves
poeta

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